O Papel do Mandato Britânico — Sementes de uma Tragédia em Território Palestiniano - Sociedade Civil
Partilha

Resumo

  • Promessas contraditóriasEm 1917, a Declaração Balfour comprometeu o governo britânico com a criação de um “lar nacional para o povo judeu” na Palestina, sem consultar a maioria árabe local.
  • Uma partida irresponsávelPerante a guerra civil de 1947 e a resolução de partilha da ONU, os britânicos apressaram-se a abandonar o mandato sem criar mecanismos de protecção.
  • Contudo, ao legalizar a colonização, reprimir a resistência e abandonar a região no momento mais crítico, o mandato britânico criou as condições para a tragédia.

O mandato britânico da Palestina (1920‑1948) não foi apenas um período de administração colonial; foi o terreno em que se plantaram as sementes da Nakba. Este artigo investiga como as promessas contraditórias, as políticas coloniais e a repressão britânica moldaram o conflito israelo‑palestiniano.

Promessas contraditórias
Em 1917, a Declaração Balfour comprometeu o governo britânico com a criação de um “lar nacional para o povo judeu” na Palestina, sem consultar a maioria árabe local. Ao mesmo tempo, os britânicos prometiam aos povos árabes autonomia e independência em troca de apoio contra os otomanos. Esta duplicidade ficou no cerne das tensões futuras.

Favorecimento da imigração sionista
Durante o mandato, a Grã‑Bretanha facilitou uma imigração judaica massiva. Entre 1920 e 1947, centenas de milhares de judeus europeus chegaram à Palestina, alterando o equilíbrio demográfico. As autoridades britânicas forneceram formação militar e suporte logístico ao movimento sionista, enquanto reprimiam revoltas árabes, como a grande revolta de 1936‑1939.

Repressão da resistência árabe
As manifestações contra a colonização judaica foram violentamente reprimidas. Milhares de palestinianos foram mortos ou presos, e a elite política árabe foi desmantelada. Esta destruição da liderança local deixou a sociedade palestiniana vulnerável quando os ataques sionistas aumentaram em 1947‑1948.

Uma partida irresponsável
Perante a guerra civil de 1947 e a resolução de partilha da ONU, os britânicos apressaram-se a abandonar o mandato sem criar mecanismos de protecção. Entregaram posições estratégicas às milícias sionistas e assistiram impassíveis à expulsão de centenas de milhares de palestinianos.

Conclusão
O Reino Unido nunca reconheceu a sua responsabilidade pela Nakba. Contudo, ao legalizar a colonização, reprimir a resistência e abandonar a região no momento mais crítico, o mandato britânico criou as condições para a tragédia. Compreender este papel é essencial para responsabilizar e avançar para uma paz justa.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

You May Also Like

Reconstrução Gaza: lições do passado, inovação humanitária para depois da ruína

Partilha
Cada bomba fende paredes e finanças. A conta preliminar da recuperação ronda 53 000 milhões de dólares (c. 49 000 M€) para a próxima década, estima o Banco Mundial, com 20 000 M€ só nos primeiros três anos . Some-se, ainda, a perda acumulada de 35,8 mil M€ de PIB entre 2007-2023, calculada pela UNCTAD — o equivalente a dezassete vezes a riqueza anual de Gaza antes da ofensiva total . Será possível erguer futuro sobre um buraco desse tamanho?

Sem Estado Social, Quem Fica para Trás?

Partilha
Imagine um país sem creches públicas, sem escolas gratuitas, sem hospitais acessíveis, sem pensões, sem subsídios de desemprego, sem apoios à deficiência ou à habitação. Parece cenário distópico, mas é a pergunta que o relatório Portugal, Balanço Social 2024 nos convida a fazer: o que aconteceria sem o Estado social? A resposta é curta — quase metade da população viveria em pobreza.

Dois Estados em coma: a inviabilidade da solução clássica e as alternativas possíveis

Partilha
Partilha Resumo O jornalista Hugo Franco recorda que a promessa de dois…